6.6.05

Quase um mês depois...

Jardim de mim

Como a docilidade escorrida do momento,
A presença arrasta o viscoso sentimento
De enternecimento,
De bem-estar perante o rebentar
Do viver em harmonia com o luar.
Sem querer pra onde, basta andar...

Andar, remar...
Notando o turbilhão de sensações
Que povoam o mais tenro tocar,
Sutilmente tocar a transparência
Do ar,
Da água
E do irretocável ser,
Apto a estourar as amargas amarras
Que enovelam o simples amar.

Viver e ver-se livre do ter de viver
Apenas.
Colhendo almofadados tufos de bem-querer,
Preocupado em acalentá-los,
Sutilmente exibi-los ao vento
E deixá-los
Acomodar em ramos de louro,
Acariciar o espírito do loureiro,
Como o mar faz ao vento,
Repleto daquelas dobraduras magistrais
Cuja concavidade, moldura do convexo,
Remete ao atemporal,
Esculpi o momento livrando-o de todo seixo.

E o bem-querer escorre o ramo,
Refresca-se no frescor de sua seiva
Percorrendo de delicadas folhas a beira,
Adocicando-se do que há de belo no humano.

Desprende um silêncio
Ávido
Impávido
Alça do ímpeto do desejo
De ser motivo de sorriso,
Sorrir pelo sorriso...

E no sôfrego titubear das gotas
Diante de um dentre muitos pedúnculos,
Da escolha do caminho seguro,
Soltar-se e pingar no solo das horas.
...

Eis que dali brota
Uma flor, toda.
Destinada a admirar o loureiro,
Embalá-lo em perfumes
E assim com muitas gotas...
Até que o inédito jardim
Seja o mais belo de mim,
Pleno de sentimentos, cores nunca vistas.

Calmo jardim!
Mesmo com possíveis vendavais
Pois sob o feitiço da sombra,
Irradiado por sua perene primavera,
Faz de momentos eternidades,
Vê a beleza apolínea no tudo e no nada, a paz.

BIU
27/05/2005

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